izmir bayan escort

Posts Tagged ‘aníbal augusto sardinha’

Sonhador

O texto a seguir integra a s?rie Choros in?dios de Garoto e possui a autoria de Jorge Mello e revis?o e diagrama??o de Z? Carlos Cipriano:

Numa das minhas incurs?es ao centro da cidade do Rio de Janeiro, com objetivo de pesquisar no setor de microfilmagens da Biblioteca Nacional (BN),deparei-me com uma raridade: o disco Carnival In Rio, gravado em Madrid pelo violonista Djalma de Andrade, o Bola Sete, e seu Conjunto. L? estava ele na barraca do meu amigo Oliveira, que vende discos de vinil na rua Pedro Lessa, ao lado da BN. Ele percebeu minha emo??o e riu…”Esse ningu?m tem”, disse ele me provocando, “estava a? te esperando!”. Imediatamente peguei o disco e voei para casa, louco para ouvir aquela preciosidade!

Abrindo o disco est? o Sonhador de An?bal Augusto Sardinha, o Garoto, choro aqui apresentado numa forma n?o ortodoxa, sem a forma??o t?pica do regional. Em particular, aprecio muito mais os choros de Garoto executados do modo que fez o conjunto do Bola Sete. Cito como outro exemplo o choro Meditando, mostrado na edi??o passada.

A grava??o original deste choro foi feita em 2 de outubro de 1945 pelo seu autor, tendo o conjunto Bossa Clube a acompanh?-lo. Neste mesmo dia gravaram o choro (tamb?m de Garoto) Celestial e acompanharam a cantora Emilinha Borba no samba O Outro Palpite (Garoto e Grande Otelo) e no choro Divagando, autoria de Nelson Miranda e Luiz Bittencourt.

Capa do disco Carnival in RioO disco Carnival In Rio, com Bola Sete e seu Conjunto, possui aspectos interessantes. Na sua contracapa ? declarado de forma inequ?voca o local da grava??o ? Madrid ? muito embora n?o se fa?a men??o ? data desta grava??o. Na verdade, em nenhum lugar ? capa, contra capa e r?tulo do disco ? tal data ? mencionada. Encontramos no texto da contracapa o roteiro da excurs?o feita por Bola Sete e Seu Conjunto inicialmente pela Am?rica do Sul: Festival Cinematogr?fico de Punta del Este, em Montevid?u e depois em v?rios teatros de Buenos Aires, na R?dio Belgrado, no Sunset Club, no Chile (Waldorf) e no Peru (Grill Bolivar) e depois na Europa, especialmente na Espanha, onde se apresentaram com grande ?xito na Parilla Rex, em Madrid.

Foi a?, de acordo com o texto, que Fernando J. Montilla contratou Bola Sete e seu conjunto para gravarem este disco l? mesmo. Mas e a data?

Lembrei-me de uma entrevista concedida por Bola Sete ao jornalista Flavio Moreira da Costa, que saiu publicada no “Caderno B” do Jornal do Brasil em 20 de fevereiro de 1973. Tinha a impress?o que l? se falava algo sobre aquela excurs?o e de fato o entrevistado diz o seguinte:

“Tinha uma moreninha que era crooner da Boate Beguin, na Gl?ria. Eu fui convidado para fazer um conjunto e levei ela comigo. Era um talento fabuloso, cantava em v?rias linguas, mas era de conviv?ncia dif?cil. Tocamos no Drink, no Vogue. Ela se chamava Dolores Duran. Era a ?poca de Bola Sete e Seu Conjunto. Fiz depois uma orquestra para o Baile dos Artistas no Hotel Gl?ria. Recebemos convite para irmos at? Buenos Aires, Montevid?u, no Festival de Punta del Este- acho que era 1954. Permanecemos dois meses com muito sucesso. Depois chegamos a fazer uma turn? pela Espanha.”

Tudo parecia se encaixar perfeitamente, de modo a me fazer acreditar que a data da grava??o era em torno de 1954. At? o repert?rio ? coerente com esta data! Mesmo n?o sendo Dolores Duran a cantora que participou (em algumas faixas) da grava??o do disco, e sim Therezinha Bittencourt, ainda ? poss?vel acreditar naquela data. Interessante ? que este disco foi relan?ado pela Sinter (SLP 1727) em 1958 com o t?tulo Bola Sete em Hi-Fi ! (agrade?o aqui ao dono do? blog Vinyl Maniac por algumas valiosas informa??es) ? recentemente uma discuss?o sobre esse assunto apareceu tamb?m no blog Loronix!

Contracapa do LP Carnival in Rio

Ou?a agora a vers?o do choro Sonhador, de autoria de Garoto, gravada por Bola sete e seu conjunto (clique no bot?o PLAY abaixo para ouvir e/ou no link ?Download? para salv?-la):

Lamentos no morro (segunda parte)

O texto a seguir integra a s?rie O cancioneiro de Garoto, em parceria com Jorge Mello e entrevista realizada por Z? Carlos Cipriano (conhe?a as demais m?sicas e a proposta da s?rie neste artigo):

Para uma melhor compreens?o do artigo veja tamb?m a primeira parte, que fala sobre a vers?o instrumental original de Lamentos no morro.

?rduo ? o desafio para qualquer compositor, mesmo dos bons, em bolar uma letra para uma m?sica instrumental que foi criada e pensada unicamente para esse prop?sito. Sobretudo quando se trata de uma composi??o de An?bal Augusto Sardinha, o Garoto, e uma das mais expressivas do repert?rio instrumental brasileiro, como Lamentos no morro.

Capa do CD Brasis, de Gabriel Moura Assim o carioca Gabriel Moura tomou para si esse desafio, tornando-o p?blico em 2006 ao lan?ar seu primeiro disco solo, Brasis, e gravar na ?ltima faixa deste a sua vers?o letrada, junto com seu parceiro Rog?, do samba de Garoto.

Vindo de uma fam?lia de m?sicos ? ? sobrinho do clarinetista Paulo Moura ? Gabriel, que al?m de compositor e cantor (participou de v?rios grupos, entre eles o “Farofa Carioca“, que projetou seu nome, o de Seu Jorge e demais colegas no cen?rio musical) ? tamb?m diretor musical em pe?as teatrais (venceu o Pr?mio Shell de Teatro na categoria trilha sonora em 2002), obteve ?xito ao criar, atrav?s de sua letra, uma paisagem urbana t?pica da cidade do Rio de Janeiro sob medida para uma m?sica composta h? mais de 50 anos atr?s, por?m atemporal, uma vez que representa de modo t?o intenso ? mesmo tendo sido ela gerada por um paulista! ? a alma carioca.

Em entrevista ao Sovaco de Cobra, Gabriel, fala da id?ia e do processo de cria??o de Lamentos no morro, assim como as interven??es dos demais envolvidos no trabalho, como seu parceiro Rog?, o violonista Z? Paulo Becker, respons?vel pelo arranjo, e Paulo Moura, pela dire??o musical:

Z? Carlos Cipriano: Como foi seu primeiro contato com a obra de Garoto?

Gabriel Moura: O meu primeiro contato com a obra de Garoto foi a partir da can??o Gente humilde, que o Chico e o Vin?cius letraram. Sempre achei linda, tanto a melodia quanto a letra suburbana que eles fizeram e eu sempre tocava ela na noite, quando comecei a tocar em bares ainda adolescente. Lamentos do Morro, fui conhecer anos depois, quando fiz um show com Paulo Moura e Yamand? Costa sobre Baden e o Yamand? fazia a primeira parte dela como introdu??o para Canto de Ossanha no show. Eu ficava louco com aquilo.

Como foi o processo de cria??o junto com seu parceiro Rog? para compor a letra?

Gabriel MouraUm dia, cheguei na casa do Rog? e ele estava com um livro de partituras do Garoto, estudando no viol?o. Quando ele tocou Lamentos do Morro eu saquei logo que poderiamos fazer uma letra pra ela. Normalmente, fazemos can??es em uma tarde de trabalho, j? que desenvolvemos uma grande afinidade como parceiros, mas dessa vez n?o ficamos felizes com o resultado, afinal se tratava de um cl?ssico da m?sica brasileira e t?nhamos que ter todo cuidado e respeito. Pelo telefone, diariamente nos fal?vamos sobre a letra e vibr?vamos muito com cada frase que consegu?amos encontrar para cada parte da melodia, vendo a can??o se revelar aos poucos. Levamos exatamente um m?s pra terminar e nos sentirmos satisfeitos.

Garoto ? conhecido por ser um compositor sofisticado, ? frente de seu tempo no que se refere ? harmonias e arranjos. Foi dif?cil submeter a sua verve compositora ? m?trica da melodia de Garoto? A op??o em letrar apenas a segunda parte da m?sica foi intencional?

Foi intencional letrar somente a segunda parte pois era ali que eu visualisava uma letra. O engra?ado ? que a melodia quase que nos dizia quais as palavras que dever?amos usar, mas pra isso era preciso muita aten??o da nossa parte e imagina??o para que nos transport?ssemos para o alto de uma laje no morro. Um cachorro latindo no final de tarde, crian?as brincando, as luzes da cidade se acendendo aos poucos e uma id?ia de saudade dos tempos em que a favela era mais po?tica e o Rio era mais tranquilo. Um grande amor do passado fechava a id?ia de um tempo feliz que passou e ficou na lembran?a.

Como foi o processo de cria??o do arranjo minimalista, por?m belo e sob medida, para voz, viol?o e cu?ca? A decis?o em respeitar significativamente o arranjo original da pe?a para viol?o partiu de Z? Paulo Becker?

O Z? Paulo Becker, violonista excelente que conheci atrav?s do Yamand?, j? havia gravado ela em um de seus CDs. Ele j? chegou no est?dio com ela pronta, “debaixo do dedo” e linda. Paulo Moura, que fez a dire??o musical e arranjos do meu disco, sugeriu a introdu??o que cita Ol? Ol?, do Chico Buarque. Pediu ao Z? que fizesse uma abertura mais lenta pra que fosse valorizada a letra e assim foi feito. Z? Paulo arrasou com seu viol?o de seis cordas, com a sexta corda afinada em r?. Tocou o arranjo todo, inclusive o solo, de uma vez s?, depois de uma ou duas passadas no m?ximo pra ensaiar. A cu?ca minimalista do Andr? Corr?a (do grupo Batuque na Cozinha) foi outra id?ia genial do Paulo para ambientar a can??o na laje da favela. Era o cachorro latindo ao fundo.
Quando fizemos o pedido de libera??o da obra para ser inclu?da no cd, veio a not?cia que me deixou feliz e aliviado da responsabilidade de mexer em algo t?o precioso: os cumprimentos e elogios da fam?lia do Garoto que adorou a letra e a grava??o.

Veja a seguir a letra de Gabriel Moura e Rog? para o samba de Garoto:

Fonte da imagem: Flickr - Daniel Benevides
Rio de Janeiro, ao entardecer. (foto: Daniel Benevides – via Flickr)

De cima da laje no morro
Pensando nos tempos de outrora
Eu vi a cidade antiga
Do Rio que banhou meu cora??o
Chorei com saudade de voc?
Ao assistir a aurora

A noite j? vem apagando
Barracos est?o acendendo
Em mim a lembran?a dos dias
Que juntos n?s bordamos de paix?o

Eu vou descer pro asfalto
e esquecer a falta que faz
a sua doce companhia
encontrar um novo amor
em paz

Ouve o lamento
O meu lamento do morro
O meu lamento de amor

Ou?a o samba Lamentos no morro, de Garoto, em vers?o cantada com letra de Gabriel Moura e Rog? no disco Brasis (2006), na interpreta??o de Gabriel Moura, acompanhado por Z? Paulo Becker ao viol?o e Andr? Corr?a na cu?ca (clique no bot?o PLAY abaixo para ouvir e/ou no link ?Download? para salv?-la):

Lamentos no morro (primeira parte)

O texto a seguir integra a s?rie O cancioneiro de Garoto e possui a autoria de Jorge Mello e revis?o e diagrama??o de Z? Carlos Cipriano (conhe?a as demais m?sicas e a proposta da s?rie neste artigo):

Em entrevista concedida ao violonista e pesquisador paulista Ronoel Sim?es em 1967, publicada em dezembro na revista “Viol?o e Mestres”, o professor de viol?o At?lio Bernardini assim se referiu ao seu aluno An?bal Augusto Sardinha, o Garoto:

“Era um aluno rebelde, seguia os conselhos que entendia, usava o polegar como palheta…”.

Esta forma nada convencional de tocar viol?o, introduzida por Garoto, pode ser apreciada na grava??o de suas mais preciosas e brasileiras composi??es, o samba Lamentos do Morro (sem data de composi??o exata, provavelmente entre 1948 e 1950), registrada por Ronoel Sim?es com o pr?prio compositor executando-a, em 1950.

Garoto ao viol?o - foto: acervo Jorge MelloAlgumas caracter?sticas t?cnicas referentes ? execu??o do instrumento nesta pe?a violon?stica, alinhadas ? inten??o tem?tica de Garoto, despertam a aten??o dos ouvintes mais atentos.

A introdu??o, por exemplo, ? tocada com o polegar imitando uma palheta, para cima e para baixo nos primeiros compassos; em seguida dois acordes por compasso aparecem num desenho r?tmico sincopado e, por fim, permanece o toque cont?nuo do polegar, imitando os intrumentos percussivos t?picos do samba.

A melodia, na tonalidade de sol maior, ? executada na regi?o m?dia do viol?o e remete o ouvinte aos sambas tocados nas favelas cariocas daquela ?poca. O violonista paulistano Paulo Bellinati, em seu memor?vel trabalho The Guitar Works of Garoto (vol. 1), afirma que esta melodia ? um tributo a Ary Barroso, evocando seu famoso samba Aquarela do Brasil.

Lamentos do Morro foi gravada pela primeira vez por Geraldo Ribeiro em junho de 1980. Entretanto, uma das grava??es mais expressivas desta m?sica foi feita por Raphael Rabello no disco de mesmo nome em 1988. A partir da?, esta pe?a passou a constar no repert?rio de in?meros violonistas, dentre eles Marco Pereira, que solfejava a melodia simultaneamente som o solo de viol?o, evidenciando assim sua beleza.

O pr?ximo artigo da s?rie ir? falar sobre a vers?o letrada e cantada por Gabriel Moura para esta m?sica.

Ou?a o samba Lamentos no morro, de Garoto, na interpreta??o do pr?prio autor (clique no bot?o PLAY abaixo para ouvir e/ou no link ?Download? para salv?-la):

Vivo sonhando

O texto a seguir integra a s?rie O cancioneiro de Garoto e possui a autoria de Jorge Mello e revis?o e diagrama??o de Z? Carlos Cipriano (conhe?a as demais m?sicas e a proposta da s?rie neste artigo):

As m?sicas Medita??o, Gente humilde e Vivo sonhando faziam parte de uma su?te para viol?o composta por An?bal Augusto Sardinha, o Garoto, em 1945. Fato curioso ? que todas ganharam letra posteriormente, as duas primeiras de um poeta mineiro que optou pelo anonimato e a terceira de Badeco, ex-integrante do conjunto vocal Os Cariocas.

Os Cariocas: da esq. para dir. Badeco, Quartera, Waldir, Severino Filho e Ismael Neto

Vivo sonhando foi interpretada pelo cantor cearense Gilberto Milfont no programa “Um Milh?o de Melodias” j? com a letra de Badeco. A acompanh?-lo estava a Orquestra Brasileira de Radam?s Gnattali e Garoto ao viol?o.

BadecoDe todos os grandes programas da R?dio Nacional, “Um Milh?o de Melodias” era o maior deles: tinham seus ensaios gravados em discos de alum?nio cobertos com acetato, cuja finalidade principal era a de corrigir o posicionamento dos microfones para o int?rprete e a orquestra. Com o fim daquela emissora, os acetatos foram empilhados sem muito cuidado e depos transferidos para o Museu da Imagem e do Som.

Uma grande parte deles foi danificada. Alguns, como este em que foi gravada Vivo sonhando, estavam em estado prec?rio! Felizmente o pesquisador Jorge Mello conseguiu obter este registro, talvez pela ?ltima vez.

Emmanoel Barbosa Furtado, o Badeco, integrava em 1944 o conjunto “Os Irapurus”. Entusiasta do viol?o, assistia sempre aos programas em que Garoto participava na R?dio Nacional, surgindo assim uma grande amizade que se consolidou no ano seguinte.

Depois disso, Badeco integrou o conjunto “Os Tupiniquins” e finalmente Os Cariocas. Nestes conjuntos, todos com nomes ind?genas, ele atuara como vocalista e violonista.

N?o se tem not?cia do lado letrista de Badeco em outras m?sicas. A seguir est? a sua ?nica letra:

Vivo sonhando com voc?
meu grande amor
Sentindo perto, muito perto
seu calor

Na esperan?a de um dia
ter voc? bem junto a mim
ent?o serei muito feliz
porque voc? voltou

Todas as noites
a saudade vem chegando
Mesmo acordado
com voc? vivo sonhando

Porque meu sol
o meu amor
o grande sonho
em minha vida

? voc? minha querida
meu grande amor
minha querida
minha querida…

Ou?a a can??o Vivo sonhando, de Garoto e Badeco, interpretada por Gilberto Milfont no programa “Um Milh?o de Melodias”, aacompanhado pela Orquestra Brasileira de Radam?s Gnattali e Garoto ao viol?o (clique no bot?o PLAY abaixo para ouvir e/ou no link ?Download? para salv?-la):

Eu comprei uma ilusão

O texto a seguir integra a série O cancioneiro de Garoto e possui a autoria de Jorge Mello e revisão e diagramação de Zé Carlos Cipriano (conheça as demais músicas e a proposta da série neste artigo):

Garoto (à direita) no Rio de Janeiro - acervo Jorge MelloParceria única de Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, com Moacir Braga, o samba canção Eu comprei uma ilusão fez par com a valsa Ainda te lembras de mim? no disco Odeon 12053, gravado em 30/09/1940 pelo cantor Valdemar Reis, tendo a acompanhá-lo o próprio Garoto (violão tenor) e seu Conjunto. Nesta gravação percebe-se, sobretudo, a riqueza do acompanhamento feito pelo instrumento do compositor.

Parece provável que Garoto e Moacir Braga tenham se conhecido através do acordeonista Arnaldo Meireles. Este gravou um disco em 1936 pela Columbia contando com o acompanhamento da dupla Garoto & Aimoré nas valsas A Vida é um Sonho e Rei da Banha (título estranho para uma valsa…), sendo a primeira de Arnaldo e a segunda de Moacir Braga. A colaboração entre esses dois foi intensa em termos de parcerias e interpretações.

Por outro lado, Garoto e Arnaldo eram amigos de infância na Vila Economisadora, bairro operário da cidade de S. Paulo onde Garoto crescera. Arnaldo começou no violino por 3 anos, passando depois ao violão e finalmente ao a

cordeon, instrumento com o qual se firmou no cenário musical. Com o acordeon gravou duas músicas de Garoto em 03/06/1938, pela RCA Victor (disco 34 441): Suspirando, valsa, e Saudades daqueles Tempos, mazurka.

Ainda em sua fase violonística, Arnaldo formou o “Conjunto Regional do Pory”, de acordo com entrevista concedida à Gazeta de S. Paulo em 12/06/1931:

“(…) este grupo era composto por Arnaldo Meireles, vilão e cavaquinho, Mario Fernandes, violino, Aurora Fernandes, piano, Garoto, banjo, e Waldemar Beferi, bateria. Porém, mudando de residência, ficou o grupo dissolvido.”

Agora veja a letra de Moacir Braga para a música Eu comprei uma ilusão:

Eu comprei uma ilusão
no fulgor do teu olhar.
Num sorriso de tua boca
tive a inspiração bem louca
de um amor edificar.

E a ilusão que me vendeste
hoje é realidade,
pois encontro neste amor
o sonho confortador
da nossa felicidade.

Felicidade
é a ilusão que num segundo
faz do amor
o maior sonho do mundo.

Felicidade
é tristeza, é alegria,
pois até na própria dor
há encanto, há poesia.

Ouça o samba canção Eu comprei uma ilusão, de Garoto e Moacir Braga, interpretado por Valdemar Reis (clique no botão PLAY abaixo para ouvir e/ou no link “Download” para salvá-la):

zp8497586rq

O Sino da Capelinha

O texto a seguir integra a série O cancioneiro de Garoto e possui a autoria de Jorge Mello e revisão e diagramação de Zé Carlos Cipriano (conheça as demais músicas e a proposta da série neste artigo):

As últimas gravações de Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, foram realizadas em 20 de abril de 1955, treze dias antes de sua morte. Foram três discos 78 RPM pela Odeon: dois deles mostrando o virtuosismo do compositor no violão elétrico e na guitarra:

  1. Disco nº 14 118, lançado em novembro de 1956, contendo o belíssimo Choro Triste nº2, de sua autoria e a valsa Primavera, de seu amigo Armandinho.
  2. Disco nº 13 852, lançado ainda em maio de 1955, com duas composições de Chopin: Valsa do Adeus (Op. 69, nº1) e Mazurka (Op. 34, nº2).

O terceiro disco integrou o “Suplemento Junino” da Odeon, contendo as músicas Polquinha Sapeca, de Joubert de Carvalho e O Sino da Capelinha, de Garoto e Carlos Alberto Ribeiro, e foi lançado em junho de 1955. Nestas duas músicas Gar

oto tocou banjo – fora, aliás, o instrumento por ele usado em sua primeira gravação!!!

Garoto em frente ao Pavilhão Brasileiro da feira de New York - foto: acervo Jorge Mello

Vejam a letra de Carlos Alberto Ribeiro para a composição de Garoto:

Três santinhos eu vou festejar:
Pedro, Antônio e João.
E nas três capelinhas deixar (bis)
cravos e rosas e manjericão.

Na capelinha o sino bateu
Meu coração bateu por alguém
blem blão,blem blão, blem blão.
Como é bom te querer bem!

Ouça O Sino da Capelinha, de Garoto e Carlos Alberto Ribeiro (clique no botão PLAY abaixo para ouvir e/ou no link “Download” para salvá-la):

zp8497586rq

Indiferen?a

O texto a seguir integra a s?rie O cancioneiro de Garoto e possui a autoria de Jorge Mello e revis?o e diagrama??o de Z? Carlos Cipriano (conhe?a as demais m?sicas e a proposta da s?rie neste artigo):

O violonista e compositor carioca Lu?s Bittencourt era, al?m de m?sico, um letrista de m?o cheia. Seu maior sucesso como tal foi o bolero Nova ilus?o em parceria com Z? Menezes, gravado em 1948 pelo conjunto vocal Os Cariocas. Num depoimento concedido ao Museu da Imagem e do Som (MIS-RJ) em 06 de maio de 1975, fizeram a seguinte pergunta:

Bittencourt, quais os violonistas que mais te impressionaram?

Ao que ele respondeu:

Garoto. Ele foi o que mais me marcou, pois criou um novo estilo. Z? Menezes ? extraordin?rio e Baden, fant?stico.

Com Garoto, Bittencourt comp?s dois choros, Amoroso e Indiferen?a, e um fox, Melodia do C?u, m?sica in?dita, da qual o pesquisador Jorge Mello possui em seu acervo sobre o compositor apenas a melodia.

O choro Indiferen?a foi gravado apenas duas vezes: a primeira, n?o comercial, mostra letra e m?sica na voz da cantora Regina C?lia, acompanhada pela orquestra do maestro Chiquinho num programa n?o identificado da R?dio Nacional. A segunda, gravada na Todam?rica em 22 de julho por Abel Ferreira (sax-alto), mostra a vers?o instrumental deste belo choro. Nesta grava??o, que est? dispon?vel no site do Instituto Moreira Salles, Garoto participa na guitarra, como integrante do conjunto que acompanha Abel.

Veja agora a letra de Luis Bittencourt para a can??o de Garoto:

Numa noite linda de luar assim
Me prend=i? num beijo aos abra?os do amor
No instante que se eternizou pra mim
Tantas juras tu fizeste com calor

Quando estou sozinha a recordar
Sinto que a saudade invade o cora??o
E choro ao recordar que nosso amor
foi ilus?o de uma noite de luar

Condenada a viver na indiferen?a apenas
por um capricho sem raz?o
Trago na garganta o grito da descren?a
e no cora??o trago a sua ingratid?o.

Meu amor jamais ter?s, afirmo com franqueza:
a mim nunca mais enganar?s.
Juro pela pr?pria natureza
Juro at? pela beleza de uma noite de luar.

Caricatura de Garoto

Ou?a a can??o Indiferen?a, de Garoto e Lu?s Bittencourt, na interpreta??o de Regina C?lia (clique no bot?o PLAY abaixo para ouvir e/ou no link ?Download? para salv?-la):

L?grimas de sonho

O texto a seguir integra a s?rie O cancioneiro de Garoto e possui a autoria de Jorge Mello e revis?o e diagrama??o de Z? Carlos Cipriano (conhe?a as demais m?sicas e a proposta da s?rie neste artigo):

A can??o L?grimas de sonho foi apresentada por pelo ator e compositor Jos? Vasconcelos ao cantor Carlos Jos?, que a gravara no LP CBS Monaural 37373, em 1965, dez anos ap?s a morte de An?bal Augusto Sardinha, o Garoto, um dos seus autores.

Garoto, Radam?s Gnattali e Chiquinho do Acordeom (do centro ? direita) - Foto: acervo Jorge Mello

Esta talvez tenha sido a ?ltima de suas parcerias com Jos? Vasconcelos. Assim, L?grimas de sonho ? uma bela m?sica praticamente desconhecida, inclusive do p?blico aficcionado por can??es dessa ?poca.

Era sabida a exist?ncia desta m?sica atrav?s do livro “Garoto, Sinal dos Tempos” de Irat? Antonio e Regina Pereira (Editora Funarte, 1980) mas n?o de sua grava??o. Esta s? se teve ci?ncia atrav?s da entrevista que Jorge Mello, pesquisador da vida e obra de Garoto, fez com Jos? Vasconcelos. Assim ele ent?o contou da grava??o feita por Carlos Jos?. J? no Rio de Janeiro, Jorge Mello iniciou a busca em todos os sebos da cidade, sem sucesso algum… foi somente com o pr?prio Carlos Jos? que o mencionado disco foi obtido.

Veja a seguir a letra p?stuma de Jos? Vasconcelos para a can??o de Garoto:

Cheguei cansado
e me sentei no ch?o
ouvindo m?sica
suave ao viol?o
Lembrei, saudoso,
dos momentos de alegria
que passava todo dia
sempre ao lado de voc?
T?o tristemente
fui sentindo a melodia
que nem l?grimas sentia
E as deixava rolar
Ca?ram frias
e macias a soar
Cada gota era uma nota
que eu ouvia sem pensar
Meu pensamento
devaneia sem querer
Mas de repente
um suspiro faz lembrar
Que ? sonho s?
e n?o h? quem ao meu lado
e que vivo apaixonado
sem saber mais nem pensar

Ou?a a can??o L?grimas de sonho, de Garoto e Jos? Vasconcelos, na interpreta??o de Carlos Jos? (clique no bot?o PLAY abaixo para ouvir e/ou no link ?Download? para salv?-la):

Baião do Rouxinol

O texto a seguir integra a série O cancioneiro de Garoto e possui a autoria de Jorge Mello e revisão e diagramação de Zé Carlos Cipriano (conheça as demais músicas e a proposta da série neste artigo):

Em seu livro “Choro, do quintal ao Municipal”, o cavaquinista e pesquisador Henrique Cazes conta o seguinte:

“(…) quando foram ao escritório da gravadora para a assinatura do
contrato de São Paulo Quatrocentão, Chiquinho [do Acordeom] e Garoto foram indagados sobre o que poderiam gravar do outro lado do 78 RPM. Garoto afirmou na hora: “Do outro lado vamos gravar o Baião do Rouxinol”. Na saída, ao perceber o espanto de Chiquinho que jamais ouvira falar nessa música, Garoto o acalmou: “vamos ter que fazer este baião agora, para gravar amanhã, senão vamos dar carona pra alguém, pois este disco vai vender muito”.

Assim, Garoto gravava São Paulo Quatrocentão e Baião do Rouxinol em 19 de agosto de 1953. Na gravação desta última se destaca o belo trabalho da flauta de Altamiro Carrilho dialogando com o cavaquinho de Garoto.

A história da música Baião do Rouxinol, de Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, é uma daquelas inusitadas cuja veracidade seria constestável se não houvesse registros.

Portanto, é bem provável que a deliciosa história contada por Cazes tenha, de fato, acontecido. Na véspera da gravação, no dia 18 de agosto, Garoto fez a seguinte anotação em seu diário:

“Eu e Chico vamos ao apto de Di Veras. Boa promessa e $500,00″.

Conforme foi comentado nesta série, José Vasconcelos, parceiro habitual de Garoto, fizera a letra para São Paulo Quatrocentão, substituida às pressas pela letra de Avaré. Da mesma forma, foi o próprio José Vasconcelos quem também colocou letra em Baião do Rouxinol, gravada por Neide Fraga em disco Odeon nº 16.629, no dia 14 de janeiro de 1954:

Pra matar a saudade
da gente
vai cantando
meu rouxinol

Canto triste, suave
e dolente
vai cantando
meu rouxinol

A doçura que tem
no cantar
lembra o vento da mata
a soprar

Traz feitiço de amor
pra zombar
dos romances que vivo
a sonhar.

Ouça o Baião do Rouxinol, de Garoto, Chiquinho do Arcordeom e José Vasconcelos, na interpretação de Neide Fraga (clique no botão PLAY abaixo para ouvir e/ou no link “Download” para salvá-la):

São Paulo

O texto a seguir integra a série O cancioneiro de Garoto e possui a autoria de Jorge Mello e revisão e diagramação de Zé Carlos Cipriano (conheça as demais músicas e a proposta da série neste artigo. Esta edição foi publicada hoje, extraordinariamente, em homenagem aos 454 anos da cidade de São Paulo; meu agradecimento ao Jorge pela presteza e rapidez na produção do artigo, a fim não perder a oportunidade da data!):

Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, nasceu em 29 de junho de 1915 em Vila Economisadora, cidade de São Paulo. Apesar de ter vivido uma boa parte de sua vida no Rio de Janeiro, jamais esqueceu de sua cidade natal. Quando em 1932 Cesar Ladeira conclamava a todos os paulistas, fossem homens, mulheres ou até mesmo crianças, em defesa de São Paulo, Garoto prontamente atendera ao chamado!

Ele fazia parte de um grupo de músicos que tocava para amenizar a dor das vítimas do confronto. Foi numa enfermaria, inclusive, que conheceu Laurindo Almeida, que estava se recuperaando de um ferimento.

Garoto (em 13/08/1930) segurando um fuzil como se fosse um banjo - foto: acervo Jorge Mello

No final de dezembro de 1945, mais precisamente no dia 05, Garoto traduziu este amor e admiração por São Paulo em notas musicais que, acopladas aos versos de Haroldo Barbosa, formaram este belo samba intitulado São Paulo.

Nas palavras de Garoto:

“Tempo bom. Vou`a rádio para ensaiar e depois tomo um chopp com Radamés, Zé Mauro e Bittencourt. No programa “Um Milhão de Melodias”, apresento em 1º audição o meu samba São Paulo, com letra de Haroldo Barbosa”.

Esta música foi também apresentada em outro programa da Rádio Nacional, chamado “Canção Romântica”. Lá, acompanhado da orquestra de Lírio Panicali, Francisco Alves interpretou São Paulo, com Garoto ao violão.

A única gravação comercial desta música (Continental) foi feita por Jorge Goulart com a Orquestra Tabajara, de Severino Araújo, a acompanhá-lo.

Olho do planalto
Sinto um sobressalto
Que maravilha
Terra bendita
Ouço de longe
o rumor de um Titã
A seiva forte
na terra palpita

São Paulo, São Paulo
nas legendas douradas do país
A glória é sua história
Bandeirantes nobre perfil
São Paulo és todo Brasil

Pacaembu
Ouro e café
Teu coração
é a Praça da Sé
São Paulo,
minha voz afinal
canta o teu madrigal
simples voz que te diz:
és imortal

Ouro e café
Tanto algodão
Praça da Sé
é o teu coração
São Paulo,
tenho a mão calejada
Fiz no braço da enxada
esta canção por ti

Ouça o samba São Paulo, de Garoto e Haroldo Barbosa, na interpretação de Jorge Goulart (clique no botão PLAY abaixo para ouvir e/ou no link “Download” para salvá-la):

Página 1 de 4123...Última »
porno porno