Instrumentista (violonista), compositor e professor universitário, Jorge Carvalho de Mello, nascido no Rio de Janeiro em 1949, assistia quando criança aos saraus organizados em casa por seu pai, freqüentados por músicos como Tia Amélia e Luperce Miranda, entre outros amigos da família.
Assim, influenciado pelas memórias sonoras da infância, acabou se aproximando cada vez mais da música – estudou violão com Luiz Octávio Braga e Billy Teixeira e composição com Ian Guest – embora tenha se tornado professor universitário, lecionando física na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
No ambiente acadêmico de sua universidade, Jorge se tornou um ativista e promotor de várias iniciativas ligadas à música, organizando ao longo da década de 90 eventos, como os projetos de shows “Terças musicais” e “Num cantinho um violão”.
Mais tarde prosseguiu suas atividades de produção musical organizando o show “Encontros” com a cantora Geny Martins no Rio de Janeiro, fazendo o programa semanal “Show do Rio”, transmitido pela Rádio Roquette Pinto (RJ), ao lado de Maurício Figueiredo, Guinga e Tião Neto, lançando seu CD autoral “Voz e silêncio” com 10 músicas suas na voz da cantora Myrian Eduardo e com participações de Guinga e Carlos Malta, além do show “As canções de Garoto e Bonfá”, apresentando-se ao lado de Daniel Miranda.
Foi nessa época também que Jorge deu início à sua pesquisa intitulada “O violão brasileiro”, com objetivo de estudar a fundo a evolução do instrumento e seu universo durante todo o século XX no Brasil, levantando acervos e realizando entrevistas com inúmeros violonistas do país. Conduziu também uma pesquisa sobre a obra do pianista e compositor Newton Mendonça, que posteriormente virou o livro “Caminhos cruzados” em parceria com Marcelo Câmara.
A entrada de Garoto na vida de Jorge
Jorge Mello iniciou sua pesquisa sobre a vida e obra de Garoto simultaneamente à da história do violão brasileiro.
Entrevistou por duas vezes o pesquisador Ronoel Simões e músicos como Baden Powell, Paulinho Nogueira, Paulo Belinatti, Marco Pereira, Zé Menezes, Sebastiao Tapajós, Turibio Santos, Egberto Gismonti, Henrique Cazes e Guinga, dentre outros. Familiares e pessoas que conviveram com Garoto tambem foram entrevistados: Dona Cecy (esposa), Antonio Augusto Sardinha (filho), Zé Vasconcelos, Badeco (ex-integrante do conjunto vocal Os Cariocas), Fafá Lemos, Billy Blanco e Candinho.
Pesquisas detalhadas também foram feitas no setor de música da Biblioteca Nacional, buscando gravações e partituras, e no setor de microfilmagens, onde jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo foram lidos dia a dia durante o periodo de 1915 a 1955: foi um árduo trabalho, onde todas as informações pertinentes foram anotadas.
No Museu da Imagem de do Som, Jorge Mello pesquisou nos acervos Almirante e Jacob do Bandolim, e no acervo da Rádio Nacional ali existente, através da cópia de fitas de apresentações de Garoto nos programas radiofônicos daquela emissora.
Várias cópias de arranjos para orquestra também foram feitas. Além disso, graças a generosidade de Dona Cecy, Jorge Mello escaneou os álbuns de fotografias e de recortes organizado pelo próprio Garoto. Como se não bastasse, uma mala com vários cadernos de música e com muitos arranjos para orquestra feitos pór Garoto, além de sete agendas, dos anos de 1944/45/46 e 51/52/53 e 54 foram encontradas. Discos 78 rpm , LPs raros e literatura relacionada a Garoto foram adquiridos ao longo dos anos, formando um dos mais completos acervos sobre a vida e obra do compositor.