Segue a explicação do autor, Zé Carlos Cipriano, sobre a escolha:
“Nas aulas da Oficina de Choro no largo da Lapa, no Rio de Janeiro, o professor Maurício Carrilho ocasionalmente comentava aos alunos sobre as rodas que ele freqüentava durante sua iniciação no choro – a principal delas era a que acontecia no bar Sovaco de Cobra, berço do grupo Os Carioquinhas e referência para todos os músicos de choro daqueles anos. Aquele nome gracioso não me saía da cabeça e como nessa época já estava eu com a pretensão de me aventurar na blogosfera brasileira, decidi usá-lo no batismo da minha primeira empreitada pessoal na internet. Pouco tempo depois lançava finalmente, em conjunto com meu irmão Luis Alberto, a primeira versão do Sovaco de Cobra.”
Origens do Sovaco de Cobra
Durante a década de 70, a referência mais marcante do choro era o “Sovaco de Cobra”, um botequim localizado na rua Francisco Enes, no bairro da Penha, subúrbio da cidade do Rio de Janeiro, ponto de encontro de todos os chorões cariocas de diversas gerações. Entre alguns nomes de freqüentadores mais conhecidos, estão Abel Ferreira, Dino 7 Cordas, Joel Nascimento, Maurício Carrilho, Rafael e Luciana Rabello, Zé da Velha, Paulo Moura e Guinga, entre outros.
No seguinte trecho deste depoimento de Maurício Carrilho, é possível compreender a importância histórica deste lugar para o choro e para a música brasileira:
“Em 1976, no “Sovaco de Cobra”, um bar localizado na Penha que era ponto de encontro de todos os chorões do Rio de Janeiro, conheci Rafael e Luciana Rabello. Quando tocamos juntos pela primeira vez, parecia que nos conhecíamos há anos. Rafael tinha 14 anos, Luciana 16 e eu 19. O Rafael falou a seguinte frase: “Eu toco igual o Dino, minha irmã igual o Canhoto e você igual o Meira. Nós vamos formar o melhor Regional da nossa geração.” Eu achei muito engraçada a profecia daquele garoto, mas ela acabou acontecendo. Eu ingressei nos Carioquinhas e abandonei a faculdade de medicina. Gravamos nosso disco no ano seguinte e me tornei músico profissional pelas mãos de Rafael e Luciana Rabello.”
O botequim chegou também a ser homenageado por Abel Ferreira na sua composição Chorinho do Sovaco de Cobra, gravado por Joel Nascimento em seu álbum Chorando pelos dedos em 1976, lançado pela Coronado/EMI-Odeon.

Fonte da imagem: Beto Boscarino