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Os teus olhos captivam

O texto a seguir faz parte da série Raras de Ernesto Nazareth e possui a autoria de Alexandre Dias e revisão e diagramação de Zé Carlos Cipriano (conheça as demais músicas e a proposta da série neste artigo):

“Offerecida a uma moça Brasileira”, a polca Os teus olhos captivam, foi composta pelo jovem de vinte anos Ernesto Nazareth e publicada pela E. Bevilacqua em 1883. No momento de definir as dedicatórias das músicas compostas naquele tempo, seguia à risca o bom senso da sutileza e discrição no momento de definir as dedicatórias das músicas compostas naquele tempo.

Erneso Nazareth aos 18 anos, em 1881 - fonte: Biblioteca NacionalAssim detalha o biógrafo do pianista, Luiz Antonio de Almeida, as razões dessa intrigante dedicatória feita por Nazareth, que ainda não era casado com Theodora Amália Leal de Meirelles, cujo enlace ocorreu somente em 1886:

“(…) por que um oferecimento tão vago? A resposta é simples: na provinciana Corte do Rio de Janeiro, de então, se algum compositor, principalmente de cunho popular, dedicasse obra a qualquer moça de boa família, principalmente solteira, mesmo que munido das melhores intenções, estaria, ele, a princípio, incorrendo em situação que poderia despertar maledicências, tais como as de um possível “envolvimento” entre artista e musa… E se o pai, ou algum irmão valentão, ou mesmo os dois, juntos, resolvessem tomar satisfações, aí o tempo “fechava”!… Por isso, era bem mais prudente que se constasse, nas partituras, dedicatórias menos comprometedoras.”

Tendo sido gravada uma única vez, pela Banda do Escudeiro em 1912, no 78-RPM Odeon 10.274, Os teus olhos captivam permanece inédita em CD e em seu original para piano solo.

Direito de resposta

Quem aprecia o choro deve conhecer o hábito de os compositores do gênero eventualmente criarem um “choro-resposta” a uma determinada música ou ao seu respectivo compositor.

Luiz LevyOs primórdios disso certamente aconteceram na época de Nazareth. Em 1893 o pianista e compositor paulista Luiz Lévy compôs uma polca em resposta a esta música nazarethiana, intitulada Captivaram-me os teus Olhos, utilizando o pseudônimo Ziul Y Vel.

Construída sobre o molde de Os teus Olhos Captivam, usando a mesma forma e vários elementos da peça original, como padrões rítmicos da primeira parte e o baixo descendente da terceira, a “polca-resposta”de Lévy não foi a única resposta a Nazareth: ele também “dialogou” com outra música nazarethiana, Beija-Flor, através da resposta na forma da polca intitulada Vicilino. Ambas foram gravadas pelo pianista Cláudio de Brito no LP “Luiz Levy” (Eldorado), lançado em 1984.

Uma “polca-tango” sincopada

Apresentando uma estrutura ABBACCABA, a polca Os teus Olhos Captivam possui em sua primeira parte a melodia construída em terças sincopadas, enquanto a mão esquerda faz o típico acompanhamento de polca “colcheia – semicolcheia – semicolcheia”.

A segunda parte da polca apresenta características de tango, onde a mão esquerda passa a fazer ritmos sincopados, acompanhando o padrão rítmico acéfalo formado por uma pausa de semicolcheia seguida de três semicolcheias. Este, por sinal, é exatamente o mesmo recurso utilizado por Nazareth na terceira parte do conhecido tango brasileiro Odeon.

Finalmente, na terceira parte as duas mãos se mesclam de uma forma complementar, onde a melodia se faz mais presente na esquerda, criando uma linha descendente com oitavas. O diminuendo no final desta é acompanhado de uma súbita modulação para o segundo grau bemol (bII), reforçando o contraste da mudança.

Ouça a polca Os teus olhos captivam, de Ernesto Nazareth, na interpretação de Alexandre Dias (clique no botão PLAY abaixo para ouvir e/ou no link “Download” para salvá-la. Atenção: caso a gravação não esteja sendo reproduzida corretamente, acesse o site da Piano Society, que contém todas as gravações da série disponíveis para download):

6 comentários em “Os teus olhos captivam”
  1. I didn`t know “Os Teus Olhos Captivam” was so catchy!
    Thank you, Alexandre. :)

  2. Caro pianista, não falarei mais de sua interpretação pois já está no ponto ideal – parece que você encontrou o “ponto” Nazareth. Maravilha. E quanto a música, obrigado mais uma vez por mais uma que não conhecia do mestre…

  3. ai meu deus! amei esse site! pq não achei antes? quero puxar todas as músicas! ótimas e breves análises harmônicas, de progressões, me serve até de estudo..adorei..
    estão de parabéns, continuem! podiam fazer uma série do zequinha de abreu né? hehe parabéns..

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