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Paulicéa, como és formosa!…

O texto a seguir faz parte da série Raras de Ernesto Nazareth e possui a autoria de Alexandre Dias e revisão e diagramação de Zé Carlos Cipriano (conheça as demais músicas e a proposta da série neste artigo):

Ernesto Nazareth durante sua estada em São Paulo capital, em 1926

O tango brasileiro Paulicéa, como és formosa!…, peça composta por Ernesto Nazareth em 03/08/1921 em homenagem à cidade de São Paulo e dedicada ao amigo pessoal José de Abreu, teve sua primeira edição publicada pela editora paulistana Campassi & Camin em 1926. Esta publicação ocorreu por ocasião da sua viagem à cidade de São Paulo, lugar significativo para a carreira do pianista e o reconhecimento de sua obra, devidamente exaltada pela crítica cultural local da época.

Além deste tango, Nazareth compôs outro apreço musical à cidade: Êxtase, romance para canto, piano e violino, com letra de Frederico Mariath, cuja dedicatória assim consta na sua primeira edição, também de 1926: “Dedicada á Culta Paulicéa, como prova de gratidão.”

Possuindo apenas uma gravação comercial, de autoria da Orquestra Pan American 78-RPM Odeon 10.033-a, em 1927, o tango teve intensa repercussão durante as aparições musicais do compositor no cenário cultural da capital paulista, conforme noticiado pela imprensa local.

Mário de AndradeSegundo levantamento do pesquisador Luiz Antônio de Almeida, em abril de 1926 partiu Nazareth à terra dos Bandeirantes, fazendo concertos em suas mais importantes salas naquele ano: o Theatro Mvnicipal e o Conservatório Dramático e Musical. O concerto no primeiro estabelecimento foi precedido de uma palestra do escritor, musicólogo e pesquisador Mário de Andrade sobre a obra do compositor.

A importância do reconhecimento da cidade de São Paulo ao gênio musical de Nazareth pode ser compreendido através do depoimento conclusivo de Mário de Andrade ao fim da palestra proferida, onde diz o seguinte:

Esta homenagem prestada a Ernesto Nazaré pela Cultura Artística de São Paulo me parece que é sintomática de tempos mais úteis. Além de ser justíssima. E é um gosto a gente constatar que não se carece aqui de garantia da polícia, como sucedeu no Instituto Nacional de Música em 1922, quando num concerto organizado por Luciano Gallet, aí se executou o Brejeiro, o Nenê, o Bambino e o Turuna. Satisfeito mesmo estou eu, e apesar de atravessado de enfermidades mesquinhas, fiz gosto em alinhavar na fadiga estas frases, pra vir junto dos senhores, trazer o meu aplauso a um artista, que usando a política sutil do talento, se fez escutar por uma nação.

De maneira igualmente exaltante, o jornal paulistano Diario da Noite publicou no mesmo ano uma matéria, onde entrevistou Nazareth e inclusive lhe pediu para executar sua música dedicada à cidade:

Sentando-se ao piano, a nosso pedido, Ernesto Nazareth executou o seu tango “Paulicéa, como és formosa!“, com aquella agilidade peculiar aos seus dedos e com aquella firmeza que as musicas do genero requerem. A melodia delicada e harmoniosamente desenvolvida encerra bellezas que a nossa capacidade artistica mal podia perceber, mas que o nosso coração entendia perfeitamente como emanação sincera de um outro coração grato á terra e á gente que o fazia pulsar de alegria.


Mais do que paulistano, um tango legitimamente brasileiro

Paulicéa é caracterizada pelo uso dos baixos ao longo de suas idéias musicais: a riqueza da sonoridade destes proporcionam, sem dúvida, uma surpresa a cada compasso.

Fachada do Teatro Municipal de São Paulo - fonte de imagem: Flickr - http://flickr.com/photos/tande/266711616/Sua estrutura segue os mesmos moldes do tango Proeminente (composto e publicado no mesmo ano, inclusive), porém com menos notas por compasso.

Algumas das semelhanças são o baixo pedal da segunda parte de ambas as peças, e os padrões rítmicos da primeira parte (colcheia pontuada – semicolcheia) e da terceira (semicolcheia – colcheia – semicolcheia), que são reforçados pelas indicações totalmente brasileiras, emblemáticas do estilo de Nazareth: bem jocoso, gingando, com enthusiasmo e resistente.

A primeira parte da Paulicéa se carateriza por sua simplicidade: a mão direita é composta basicamente por uma voz e a esquerda usa poucos acordes. Já a segunda parte repara-se que a melodia toda da mão direita se situa nos contratempos, ou seja, nas “fendas” entre os tempos fortes; ela parte do pianíssimo do crescendo e vai até o fortíssimo, usando acordes cheios e culminando num ritenuto, para só então iniciar o segundo período (isso deixa o pianista à vontade para produzir um contraste bem marcante).

Por fim, a terceira parte é marcada pelos habituais baixos + acorde na mão esquerda, apresentando saltos enormes, o que exige bastante apuro do músico para sua execução. Em alguns compassos está explícita a utilização do recurso no qual duas vozes executadas na mão direita vão se aproximando progressivamente (a de cima fica parada, enquanto a de baixo vai subindo). Merece destaque também a intrincada construção dos acordes feita por Nazareth: havia um grande esmero para não se repetir notas entre uma mão e outra.

Ouça o tango brasileiro Paulicéa, como és formosa!… de Ernesto Nazareth, na interpretação de Alexandre Dias (clique no botão PLAY abaixo para ouvir e/ou no link “Download” para salvá-la):

8 comentários em “Paulicéa, como és formosa!…”
  1. Fala-se muito da influência de Chopin na obra de Nazareth, mas neste tango notei certa semelhança com Brahms no talento para equilibrar os graves com os agudos, sobretudo em suas danças húngaras (apesar da clara diferença entre os padrões rítmicos dos dois compositores). Parabéns pela excelente interpretação, Alexandre.
    Abraços.

  2. Como podemos ver na lista abaixo, no Instituto Moreira Sales, existem duas gravações com o título “Paulicéa como és
    formosa”. Entretanto, a primeira gravação listada(1/2), que pertence ao acervo Humberto Franceschi, classificada como
    tarantela, e creditada a Ernesto Nazareth, evidentemente não é a mesma composição que tivemos o prazer de ouvir com
    Alexandre ao piano. Já a segunda gravação (2/2), pertencente ao acervo José Ramos Tinhorão, é uma versão orquestral de
    “Paulicéa como és formosa”, na intepretação da Orquestra Pan American do Cassino Copacabana. Para aqueles que não
    conhecem a música objeto deste post, quando visitarem o IMS em busca desta gravação, fica o alerta. Se alguém souber
    qual é o título e a autoria da tarantela agradecemos a informação. Parabéns Alexandre pela brilhante interpretação.

    Um grande Abraço

    Jayme Luna

    http://blog.epartitura.com

    1/2
    Título da música Paulicéa como és formosa
    Gênero musical Tarantela
    Intérprete(s) Orquestra Pan American
    Compositor(es) Nazareth, Ernesto
    Gravadora Odeon
    Número do Álbum 10033
    Data de Gravação 00/1927
    Data de Lançamento 00/1927
    Lado lado A
    Acervo Humberto Franceschi
    Rotações Disco 78 rpm

    2/2
    Título da música Paulicéa como és formosa
    Gênero musical Tango brasileiro
    Intérprete(s) Orquestra Pan American do Cassino Copacabana
    Compositor(es) Nazareth, Ernesto
    Gravadora Odeon
    Número do Álbum 10033
    Data de Lançamento 09/1927
    Lado lado A
    Acervo José Ramos Tinhorão
    Rotações Disco 78 rpm

  3. Grande Alexandre!
    É muito bom pode ouvir esta raridades por você.
    Muito obrigado por nos proporcionar conhecer estas maravilhas de Nazareth.
    Abraço e conte comigo.

  4. Que delícia essa segunda parte! Nazareth consegue sempre ser original e surpreender.
    Interpretação 10!
    Obrigado por mais esta, Alexandre.

  5. GOSTEI MUITO DA MUSICA PAULICEIA COMO ES BELA E GOSTARIA DESTA PARTITURA.

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