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Chave de ouro

O texto a seguir faz parte da série Raras de Ernesto Nazareth e possui a autoria de Alexandre Dias e revisão e diagramação de Zé Carlos Cipriano (conheça as demais músicas e a proposta da série neste artigo):

Emesto Nazareth em São Paulo (3o da esq. para a dir.) - abril de 2006

Ao ouvir pela primeira vez a composição Chave de ouro, percebe-se que Ernesto Nazareth definitivamente encontra no tango brasileiro, estilo musical mais desenvolvido por ele, o ambiente mais propício para manifestar sua criatividade e sensibilidade.

Inédita no Brasil

Composta em 1909, editada no mesmo ano e dedicada ao amigo Francisco Soares d`Almeida Junior, Chave de ouro teve uma gravação realizada pelo pianista brasileiro Artur Camilo na primeira ou segunda década do século no 78-RPM Brazil 70188 e atualmente desaparecida. A seguir, em 1948, foi gravada por Guari e sua Orquestra no 78-RPM Odeon 12.871-B e, mais recentemente, pelo músico ragtimer americano Franck French em solo de piano no CD Tango Brasileiro (Viridiana Productions VRD 2008) lançado em 1998. Entretanto, mesmo já tendo sido gravada 3 vezes ela ainda é pouco conhecida e nunca foi lançada em CD no Brasil.

O que é Chave de ouro?

O biógrafo de Nazareth Luiz Antonio de Almeida levantou a seguinte informação: até a década de 40, havia um café bem concorrido situado na rua São José, em frente à Galeria Cruzeiro, na cidade do Rio de Janeiro, chamado “Chave de Ouro”. Entretanto, não há nenhum indício que possibilite correlacionar a música e o estabelecimento além do mesmo nome.

Facilita, Nazareth!

Este tango de Nazareth encanta não apenas pelas suas vicissitudes musicais, pela precisão e dificuldades técnicas que impõe ao pianista, mas pelo caráter festivo contido, habitual em todos os seus tangos. É inevitável observar as citações que fazem recordar a levada de outros tangos famosos do compositor, como Brejeiro (na terceira parte) na ponte da terceira para retomada para a primeira parte, como em Atlântico e Escorregando, na ponte da terceira para retomada da primeira parte.

Uma curiosidade sobre Chave de ouro é que ela foi composta em sol bemol, tonalidade que possui seis bemóis na armadura. A segunda parte é em ré bemol (5 bemóis) e a terceira no `difícil` tom de dó bemol (7 bemóis) que só se vê mesmo em peças eruditas e estudos que visam a abarcar todos os tons.

Sobre essa questão, há um registro interessante levantado por Luiz Antonio de Almeida através de depoimento do pianista, folclorista e compositor Aloysio de Alencar Pinto, freqüentador assíduo da Casa Mozart, local onde ocorreu certo episódio envolvendo Ernesto Nazareth e Lino José Barbosa, seu proprietário:

“Quem me contou isso foi o próprio Lino. Um dia, ele chegou na loja e encontrou o Nazareth cabisbaixo, triste. E perguntou-lhe o que estava acontecendo. Ele, então, respondeu:

“Minhas músicas quase não têm tido saída, quase ninguém tem comprado as minhas músicas!”.

Ao que o Lino respondeu:

“Mas Nazareth, a culpa é sua!… Facilita, Nazareth, facilita!… Por que você não escreve músicas mais fáceis?… Em tons mais acessíveis… Para que tantos bemóis, tantos sustenidos?… Facilita, Nazareth, facilita!…”

Ouça o tango Chave de ouro de Ernesto Nazareth, na interpretação de Alexandre Dias (clique no botão PLAY abaixo para ouvir e/ou no link “Download” para salvá-la. Atenção: caso a gravação não esteja sendo reproduzida corretamente, acesse o site da Piano Society, que contém todas as gravações da série disponíveis para download):

9 comentários em “Chave de ouro”
  1. Mais uma magnífica interpretação do Mestre Dias…
    Excelente!

  2. Recomendo a leitura de “Jacob do Bandolim plagiou Canhoto da Paraíba?” em http://urarianoms.blog.uol.com.br/
    Com as composições em link para tirar a dúvida.

  3. Ótima interpretação Mestre Dias!Parabéns!Felicidades!.

  4. Queridos, sou eu de novo. Infelizmente, não foi possível, de novo, ouvir a “Chave de Ouro” e nem baixar a peça! Será que voces ouvirão meu apelo? Um grande beijo.

  5. Prezada Sonia,
    De fato estamos com um problema na disponibilização de diversas gravações, incluindo a Chave de Ouro. Enquanto não resolvemos este problema do servidor, te indico a seguinte alternativa. No site http://pianosociety.com/cms/index.php?section=1019 estão disponibilizadas todas as gravações que fiz para a série até o momento, para download direto.
    Se não conseguir baixar alguma por favor mande um e-mail.
    Um grande abraço,
    Alexandre

  6. Mais uma grandiosa obra pianística de Nazareth e uma beleza de interpretação de Alexandre Dias. Depois de ouvir “Chave de Ouro” e de ler que o humilde Nazareth estava triste porque suas músicas não eram vendidas, fico a imaginar: e se ele vivesse hoje, nesse marasmo cultural e musical?
    Como nosso Brasil é carente de cultura e de história!
    Quero deixar para meus netos este tesouro musical chamado Tangos Brasileiros de Nazareth, e outros autores que já possuo – compositores brasileiro – para que na família, Ernesto Nazareth e eles sejam imortalizados.

  7. Caro Alexandre Dias, venho recebendo com grande interesse as suas mensagens sempre com novidades importantes sobre a produção de Ernesto Nazareth.Por exemplo este “Chave de Ouro” é uma preciosidade. Para mim que, desde 1959 quando iniciei minha carreira de compositor, sempre tive uma admiração imensa pela genialidade de Nazareth (como você deve saber escrevi minha “Homenagem a Nazareth” em 1959, “Nazarethiana” em 1960 e “Divertimento para piano e orquestra” em 1963, todas em homenagem a Nazareth, mostrando uma mistura do estilo dele com minhas próprias ideias, uma espécie de “revisitação” de Nazareth ao meu modo. Desejo um contínuo êxito ao seu empreendimento valiosíssimo para a música brasileira, grande abraço do admirador, Marlos Nobre

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