O texto a seguir faz parte da série Raras de Ernesto Nazareth e possui a autoria de Alexandre Dias e revisão e diagramação de Zé Carlos Cipriano (conheça as demais músicas e a proposta da série neste artigo):
Em 1879, o jovem Ernesto Nazareth, vivendo sua adolescência em pleno Brasil império então com dezesseis anos, publicava a segunda música de sua carreira, a polca Cruz, Perigo!!, dedicada a um certo amigo de nome Georgino Pinto da Silva Leal – não há referências sobre ele, apenas a denominação que consta no manuscrito: “seu particular amigo”. Antes desta peça está cronologicamente documentada apenas a publicação da polca-lundu Você bem sabe, composta pelo pianista aos quatorze anos, e a valsa O Nome d`Ella, composta aos quinze anos e nunca editada em partitura impressa.
Essa musica foi lançada na coleção “Pérolas do baile”, conforme indicação em uma das capas da partitura (veja a reprodução original de uma das edições), e é provável que esta polca tenha tido êxito de vendagens, tal como foi sua primeira composição. Entretanto, apesar de suas edições centenárias, hoje em dia a peça é muito pouco tocada no repertório habitual de Nazareth – o pianista e pesquisador Alexandre Dias, que acompanha de perto o meio musical de câmara e para o piano no Brasil, não encontrou menção sobre ela em nenhum recital, quando estes incluem Ernesto Nazareth no repertório.
O único registro sonoro da polca foi realizado em 1958 pelo pianista argentino Heriberto Muraro, acompanhado de seu conjunto, no LP O Incrível Muraro (RGE XRLP – 5.022), lançado no Brasil. Por nunca ter sido relançada depois desse registro, até hoje ela nunca apareceu em CD nem foi gravada em seu original para piano solo – embora Muraro a execute, em grande parte, seguindo a partitura original, mas com acompanhamento de percussao e harpa.
Uma enrascada pianística ao estilo de Liszt
A polca nazarethiana Cruz, Perigo!! é uma peça musicalmente singela, mas com requintes pianísticos que chamam a atenção ao ser apreciada com mais apuro.
É explorada na primeira parte da peça uma técnica pianística muito peculiar da escola romântica, provalmente assimilada através de vivência de Ernesto Nazareth com o repertório do compositor húngaro Franz Liszt e/ou de outros compositores virtuosos românticos.
Esta técnica consiste na repetição de uma nota seguida de sua oitava superior e, posteriormente, numa nova repetição da mesma nota, usando para isso os dedos 2 1 5 1 – essa técnica aparece nitidamente em obras de Liszt como La Campanella e a famosa Rapsódia Húngara No.2 (no início da `friska`, isto é, a parte dançante da rapsódia). Como Nazareth optou por adotar essa técnica de semicolcheias ao longo de toda a primeira parte, torna-se uma árdua tarefa para o pianista se esquivar dos diversos lugares convidativos para levar “tropeções” durante a execução. A segunda parte tampouco é menos virtuosística do que a primeira: além dos saltos na mão esquerda há também saltos na direita que exigem grande reflexo do músico com a célula rítmica colcheia pontuada / semicolcheia.
Embora seja uma polca baseada no típico compasso binário, Cruz, Perigo!! se caracteriza como uma música sincopada, marca registrada do tango brasileiro nazarethiano e congêneres.

Ouça a polca Cruz, Perigo!!, de Ernesto Nazareth, na interpretação de Alexandre Dias (clique no botão PLAY abaixo para ouvir e/ou no link “Download” para salvá-la; Atenção: caso a gravação não esteja sendo reproduzida corretamente, acesse o site da Piano Society, que contém todas as gravações da série disponíveis para download):






Música muito bonita!!
Nota 10
Encantador, prendendo oo ouvidos e o coração. Parabéns ao intérprete, Alexadre, por seus sentimentos, na obra de Ernesto Nazareth: Cruz, Perigo!!
parabéns ao Suvaco de Cobra, Música Brasileira.
Alexandre, Você sabe o que é uma Polca?
Ficou massa essa música………
Abração
Alexandre, Você sabe o que é uma Polca? (tem um Chapolin com essa frase, não tem?)
Ficou massa essa música………
Abração