Nascida Carmelita Madriaga no ano de 1920 em Trajano de Moraes, interior do estado do Rio de Janeiro, a jovem Carmen Costa, então com 15 anos, saía de sua cidade para trabalhar na capital federal, na casa do “Rei da Voz” Francisco Alves, como doméstica, participando inicialmente do programa de calouros de Ary Barroso, incentivada pelo seu patrão. Ao despontar anos mais tarde no estrelato das vozes femininas, assim não mais parou.
Sua voz foi decisiva na história das marchinhas de carnaval – quem não sabe cantar, não importa a idade, “se você pensa que cachaça é água” ou “o dia ja vem raiando, meu bem, eu tenho que ir embora“? – e também da carreira de diversos compositores, como Heitor dos Prazeres, Henricão (também seu parceiro de vida em certa época), Luiz Gonzaga, Mirabeau Pinheiro, Paulo Vanzolini e tantos outros. Da mesma forma, sua participação com o violonista Bola Sete no concerto de bossa nova no Carnegie Hall, em Nova York, dividindo o palco com Tom Jobim, Vinícius de Moraes e João Gilberto e Stan Getz, foi igualmente marcante.
A iniciaitva de propor o seu “tombamento” foi uma passagem peculiar de sua vida. Assim como já ocorre em países como a França, Carmen Costa queria ser “tombada” como patrimônio artístico nacional. Sua primeira tentativa foi em 1985, ao procurar o ministro do recém criado Ministério da Cultura, José Aparecido de Oliveira, para que realizasse tal ato. Não obtendo sucesso, dezoito anos mais tarde, já aos 83 anos, durante um encontro com o ministro Gilberto Gil em 2003, voltou com a mesma proposta, desta vez enfatizando a sua importância através da execução de Tombamento, composta e interpretada por ela mesma:
Eu sou a raça
Sou mistura
Sou aquela criatura
Que o tempo vai tombar
sei que não serei a derradeira
Mas quero ser a primeira
para a história conservar
Senhor Ministro da Cultura
por que não se tomba
Uma criatura
Quando é patrimônio nacional?
O tombamento simbólico de Carmen Costa como patrimônio cultural carioca, já realizado pela câmara municipal do Rio de Janeiro, felizmente ainda em vida, aponta a necessidade de se correr atrás do resgate e preservação de legados musicais como este, recém deixado pela cantora, para a existência e manutenção de uma sólida memória musical que faça jus à riqueza que detém.
Veja mais informações sobre a despedida de Carmen Costa nesta notícia do Estadão.
Ouça a gravação de 1939 em que Carmen Costa canta Está chegando a hora, versão de Henricão e Rubens Campos para a valsa mexicana Cielito Lindo em ritmo de samba, um grande sucesso do carnaval de 1942, e que certamente permanecerá atemporalmente na boca do povo (o áudio pertence ao acervo do Instituto Moreira Salles):





Infelizmente a cada dia estamos perdendo a música de uma forma cruel, o que me refiro em perder a música, é a questão de gosto, pois hoje em dia os jovens denominam essas belas obras musicas da década de 70 para trás de OGORO MUSICAL, enguanto eles apreciam essas babosera musical, como grandes sucessos de hoje.
Imagine só peder vozes talentosos, perder grandes icones como “o infelizmente a morte de CARMEM COSTA”
RAIMUNDO LIMA
achei muito bonito voce e dimais
e que pena que o jovens de hoje nao admiran belas musicas como a sua