O texto a seguir faz parte da série Raras de Ernesto Nazareth e possui a autoria de Alexandre Dias e revisão e diagramação de Zé Carlos Cipriano(conheça as demais músicas e a proposta da série neste artigo):
Phantastica é uma valsa composta de Ernesto Nazareth totalmente ambientada no estilo romântico de salão, apresentando grande influência de Chopin. Como não há data no manuscrito onde sua partitura foi registrada, apenas se sabe que em 1922 ela já existia, pois seu nome constava numa das listagens que o compositor fez nessa época. Seu manuscrito, disponível na Biblioteca Nacional, nunca foi publicado, embora tenha sido digitado pela mesma instituição no final da década de 90.
Trata-se de uma peça de forte caráter pianístico, escrita com bastante habilidade (algo habitual nas peças de Nazareth), tendo a sua estrutura definida na seguinte forma: Introdução – A – B – C – ponte – A – coda.
As partes A e B possuem uma certa verve romântica, indicadas no manuscrito pelas expressões “com brilhantismo” e “enérgico”, respectivamente. A parte C, para criar contraste, possui a indicação “expressivo” e “bem legato“, gerando assim uma melodia plácida e cantabile. E seu final contém um molto ritenuto, que é seguido da ponte marcada por um “vivo” e “crescendo sempre” (isto é, indicando para retornar ao clima da primeira parte). Portanto, a parte C da valsa pode ser avaliada como uma espécie de intermezzo, onde há uma melodia cantabile que contrasta com o restante da música.
Apesar das melodias de Ernesto Nazareth serem geralmente cantáveis, mesmo quando possuem saltos grandes, Phantastica foge um pouco à regra, apresentando uma melodia um tanto disjunta: no início da parte A, por exemplo, a melodia cobre a extensão de três oitavas em dois compassos apenas, num ágil sobe-e-desce.
O gênero “valsístico” de Phantastica é inspirado nas valsas de Frédéric Chopin, sobretudo naquelas que possuem o subtítulo “Valse Brillante“; mais precisamente são as quatro primeiras: Valsa Op. 18 em Mi bemol, Valsa Op. 34 No. 1 em Lá bemol, Valsa Op. 34 No. 2 em Lá menor e Valsa Op. 34 No. 3 em Fá.
Justamente por conta dessa influência, Alexandre Dias, na gravação a seguir, tomou duas liberdades ao definir sua interpretação: repetir a parte A no início (assim não ficaria muito curta) e, no final da coda, fazer a breve citação do coda de uma das valsas do Chopin, já que o final nazarethiano é tão parecido com o das valsas brilhantes do compositor polonês, encaixando-se assim com perfeição.
Ouça Phantastica, de Ernesto Nazareth, na interpretação de Alexandre Dias (clique no botão PLAY abaixo para ouvir e/ou no link “Download” para salvá-la; Atenção: caso a gravação não esteja sendo reproduzida corretamente, acesse o site da Piano Society, que contém todas as gravações da série disponíveis para download):





Ze Carlos,
Nao acreditei quando chequei meu RSS feed to Sovaco de Cobra hoje e vi a materia sobre o Ernesto Nazareth… parabens e obrigada por disponibilizar informacao e musica de qualidade pra todos.
Um forte abraco,
Thais (California)
Thais querida,
Fico feliz em receber sua mensagem e saber que adorou essa lindíssima valsa do Nazareth. Seja sempre bem-vinda por aqui. Obrigado!
Abraços
Zé Carlos