Alessandro Penezzi – 2006

Alessandro Penezzi - 2006Um dia testemunhei o olhar enfeitiçado de uma jornalista italiana, num festival em Marrocos, que, ao perceber em Alessandro Penezzi a sensibilidade e entrega total de sua alma ao instrumento quando o tocava num sarau informal pós-espetáculo madrugada adentro no hotel, disse-lhe que a magia de sua música consistia, de maneira escancarada – porém bela – na intensa interação corporal sua com o violão, como se o segundo fosse uma mulher. Parafraseando Vinícius de Moraes, ela não estava exagerando, pois é assim que Alessandro o trata: este pode relutar em exibir-se, a não ser pela mão daquele a quem ama.

O mesmo feitiço e amor visceral entre músico e instrumento são transpostos neste trabalho. Através do repertório do disco, seu violão bruxo surpreende com um sortilégio de fraseados comoventes, quando solo, e engalanados contracantos com os demais instrumentos, quando acompanhado de regional. Alessandro impressiona pelas suas intenções originais inesperadas, a clareza de um timbre limpo, a agilidade e sutileza de suas dinâmicas que exploram múltiplas variedades de sons e idéias musicais e delicadas appoggiaturas sem exageros ou afetações. Assim, pois, é generosamente reconhecido por jornalistas como Luís Nassif – que o intitula integrante do primeiro time de instrumentistas da atual música brasileira – e admirado por músicos como Laércio de Freitas, Guinga e Odair Assad.

Alessandro Penezzi - foto de Marco Aurélio OlimpioTanto talento não foi mera dádiva ou sorte do destino: desde o início de sua carreira, humildade e espírito de eterno aprendiz nortearam o crescimento musical de Alessandro, aluno contumaz que, sem preconceitos, corre atrás, incessantemente, de todas as fontes e referências no violão e na música do Brasil e de outras terras, com o intuito de fazer o seu próprio estilo.

O resultado só podia ser um: versatilidade. A mesma versatilidade que apresenta no chamamé Dayanna ao lado de seu irmão mais novo de cordas Yamandú Costa, no acompanhamento das vozes femininas de Amélia Rabello, Nábia Villela Beth Carvalho, no flamenco em passo convulso que rege uma impressionante releitura da Madrugada de Zé Keti e na presença da pegada da mão direita percussiva de seu pai musical Baden Powell nos pontos de Ogum e Yemanjá – a faixa Agradecendo – e na peça para violão solo de sua autoria Be-a-Baden.

A música brasileira necessita de paixão e, portanto, necessita do violão da música de Alessandro Penezzi. (Texto publicado originalmente para o encarte deste CD, de minha autoria)

Ouvindo…

O CD de Alessandro Penezzi, lançado no ano passado de forma independente, pode ser comprado pela internet através do site MUBI – Música Brasileira Independente.

Ouça na íntegra duas faixas do CD:

  • O chamamé Dayanna, de sua autoria e em duo de violões com Yamandú Costa;
  • Uma comovente versão livre de Todo menino é um rei, de Nelson Rufino, com diversas participações musicais.
[display_podcast]
6 comentários em “Alessandro Penezzi – 2006”
  1. Querido Zé!
    Estou enternecida e entusiasmada ao ler que o disco de Penazzi foi realmente gravado, e emocionada pelo que escreveu a respeito.
    A Luciana, minha querida Luciana , falou-me (quando ainda falava e lembrava de mim, a malvada;-) – risos um pouco trsites:-) muito, muitíssimo a respeito dele e que o disco seria gravado por um selo da Biscoito Fino. Isto, à mesma época da gravação do disco do Paulinho César Pereira com músicas da Luciana.
    (Saiu?, vc sabe me dizer?)
    Depois, as conversas com Luciana foram rareando. Ela sempre com muito trabalho. Eu com inúmeras coisas a tratar. E a Acari?
    Felizmente vc me fez recordar – inclusive, da minha cantora brasileira preferida que é a bela e talentosa Amélia Rabello.

    Se falar com Luciana, diga-lhe que mando um afetuoso abraço, pode dar-lhe meu email, eu não sei o dela.

    Espero que a divulgação de Penazzi seja renovada.
    O chamamé é belíssimo, e eu gostaria de tê-lo.
    Beijos e obrigadíssima
    Meg

  2. Alessandro Penezzi é desses músicos que quando a gente ouve, não quer mais parar. Vê-lo ao vivo e a cores então nem se diga. Sua técnica é encher os olhos e os ouvidos. Sempre que posso assistir aos seus shows, agradeço a Deus o privilégio de estar ali naquele momento.
    Adorei o nome do Blog. No início dos anos 80 quando fazia faculdade, tinha uma banda com esse nome.
    Abs.

  3. Escutar Alessandro, é uma carícia. Assistí-lo pessoalmente,

    é fantástico. Ser acompanhada por ele, é um presente.

    Obrigada Alessandro, por sua sensibilidade, seu talento extra-

    ordinário e sua amizade. Bjs. Vania (cantora) .

  4. hahha, Adorei o nome do blog hahahahaha
    e o topico tambem,realmente o Alessandro Penezzi merece um topico desses, você poderia postar aquele cd dele novo com Laérci de Freitas interpretando Jacob do Bandolim,o CD ta maravilhoso,eles vão se apresenta no auditório ibirapuera dia 29/02 e 01/03,merece ser visto, da uma olhada no site deles pra vocês verem, eu não to mentindo hahahaha

Deixe seu comentário