Nelson Cavaquinho – Leon Hirszman – 1969

Nelson Cavaquinho documentário curta-metragem em preto e branco e 35mm sobre o sambista, desconcerta. Captado em 1969 pela lente de Leon Hirszman, um Nelson Cavaquinho de 59 anos de idade é flagrado divagando suas impressões sobre a música e a vida em sua casa no dia-a-dia tranqüilo de Bangu, caminhando pela vizinhança simples e, principalmente, cantando com sua embargada voz, o indefectível dedilhar debochado de seu violão (tão irresistível de se imitar, para quem é violonista) e um olhar comovente que consolida de vez o caráter comovente de sua poesia popular.

Cena do documentário Nelson Cavaquinho, de 1969Essa poesia, por sinal, é o principal meio utilizado por Nelson para expressar os valores de sua personalidade altruísta ao dedilhar os bordões e cantar o samba Caridade, onde confessa: “não sei negar esmola a quem implora a caridade, me compadeço sempre de quem tem necessidade”. Ou também para dissipar suas perspectivas sombrias a respeito da morte como em Eu e as flores: “Quando eu passo perto das flores quase elas dizem assim: Vai que amanhã enfeitaremos o seu fim”; ou do conselho dado no samba Revertério “Do pó vieste e para o pó irás, neste planeta tudo se desfaz; não deves sorrir do mal-estar de alguém porque o teu castigo chegará também”.

As intervenções musicais do próprio Nelson bem à vontade, sem camisa em sua casa ou bebendo no bar, com o violão empunhado, é o que o filme reserva de mais bonito. Seja ouvindo História de Um Valente, samba onde ele fala sobre sua vivência na boemia da Lapa, os mais conhecidos Dona Carola e Vou partir, parceria com Jair do Cavaquinho ou Quando eu me chamar saudade, com Guilherme de Brito. E até mesmo um samba pouco conhecido, Pimpolho moderno.

As instruções para obter o vídeo, assim como resenhas a respeito desse documentário, podem ser vistas nesta notícia da Agenda do Samba & Choro. No site da 2001 está lá, porém indisponível (é preciso entrar em contato para ter mais informações a respeito). Enquanto isso, Vale dar uma olhada nesta matéria realizada dois anos antes do filme, em 1967, pela Folha de S. Paulo, com um perfil do compositor.

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